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Quem for ao Sónar 2009 não pode perder o show do inglês James Pants. O rapaz lança pela Stones Throw e seu álbum de estréia, Welcome, é uma beleza. Escrevi um perfil do cara para o rraurl no ano passado, que reproduzo aqui (para quem tiver a paciência de ler).

JAMES PANTS

Apesar do nome pomposo, James Martin Singleton “the Third” é um cara normal. Hoje, aos 26 anos, ele vive com sua mulher em Washington, nos Estados Unidos, onde começa uma carreira promissora na música alternativa.

Baterista por formação, a história de James só não é mais comum porque ele anda com uma cueca no lugar do sobrenome. Como James Pants, ele lançou no começo deste ano seu primeiro álbum pela gravadora Stones Throw – Welcome.

O pseudônimo constrangedor foi invenção de sua esposa. “Ela me chamava de ‘Fancy Pants’ (‘cuecas bacanas’ em inglês). Gosto porque não remete a um gênero específico” diz James, que começou cedo no ramo da música, aos 16 anos, produzindo as batidas para um grupo de rappers nacionalistas.

“Eu era o DJ branco que compunha com samplers antigos. Como não dava para seqüenciar com aquelas máquinas velhas, tínhamos que ir até um estúdio e pagar para um engenheiro de som gravar tudo. Era um pesadelo!”

O caminho até a Stones Throw também não foi fácil. O selo, um dos principais celeiros da música alternativa norte-americana, só lançou o primeiro disco de James após receber muitas faixas ruins do produtor. “Eu conheci Peanut Butter Wolf (chefe da gravadora) no colegial, em um de seus shows, e o levei para comprar discos. Mantive contato e de vez em quando mandava mixtapes e coisas assim. Cheguei a fazer um estágio na Stones Throw durante a faculdade, e depois de algum tempo ele me pediu para compor um álbum.”

Welcome é uma compilação de músicas compostas ao longo de três anos, e por isso soa desajustado, carente de unidade. Ora se ouvem batidas de r&b, ora IDM vitaminado por sintetizadores psicodélicos. Está tudo descolado, mas ao mesmo tempo orientado por alguns elementos em comum como o vocoder à la Kraftwerk e os timbres espaciais.

“Este é um álbum estranho porque as músicas vêm de todos os cantos. Eu reuni cerca de 100 faixas e as entreguei ao P. B. Wolf, que escolheu quais entrariam no álbum. É por isso que algumas pessoas o amam e outras odeiam.”

BATERIA, TECLADO, PERCUSSÃO E UNS GRITOS
Hoje, os samplers da juventude não ficaram totalmente para trás. Nem a maneira rústica de produzir. “Uso uma porção de teclados velhos, baterias eletrônicas e um computador de 1999 rodando ACID (software de produção da Sony). Eu toco bateria, um pouco de teclado, depois percussão e dou uns gritos”, conta o músico.

Por enquanto, o lançamento do álbum permitiu que James realizasse dois desejos. Primeiro, o de largar seu emprego no setor financeiro, onde ajudava idosos a retirar seu dinheiro da aposentadoria. (Pelo menos por enquanto sua mulher não reclamou). Segundo, o de fazer uma turnê pelo mundo com uma banda completa, interpretando as músicas de seu álbum de estréia. O tour, que conta com mais três músicos, passará por Barcelona, Moscou, Paris e Budapeste antes do fim do ano.

“Ainda estou tentando entender como funciona o negócio da música. Lutando para manter a cabeça fora da água e muito animado com a turnê ao vivo e com o próximo álbum.” O novo disco, segundo James, deve ser mais “místico e cósmico” graças à influência que a Igreja Católica tem exercido sobre ele.

James Singleton é mesmo um cara normal, que deixou de lado seus discos de krautrock para acompanhar os sermões da paróquia vizinha. Mas um cara normal que, mesmo na mesmice do cotidiano, encontrou tempo para compor faixas que não dizem respeito nem ao céu nem ao inferno, mas ao limbo dançante da música alternativa.

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